1978
Entrevista 1978

O Pai da Marca

O Pai da Marca

LUÍS FILIPE DE ABREU

Professor Catedrático e membro da Academia Nacional das Belas‑Artes, Luís Filipe de Abreu nasceu em Torres Novas em 1935. Desempenhou funções de consultor artístico e técnico no domínio das artes visuais e do design junto de entidades públicas, privadas e organismos do Estado.

O País estava a mudar. Depois de décadas em tons de cinza, a Galp trouxe cor, otimismo e confiança com o laranja e o seu grafismo forte.

Um começo de calendário

O início da colaboração com a então Sacor começou cedo e foi pela mão de um amigo ligado ao cinema que o então muito jovem Luís se apresentava à Marca, com a qual, durante tanto tempo se relacionaria.

“Naquele tempo havia muitos artistas plásticos, escultores e mesmo autodidatas a fazer o agora chamado design.”

A primeira obra foi a criação de ilustrações para os calendários, verdadeiras peças de arte que, regularmente, a Sacor produzia e que continham obras de artistas tão prestigiados como Júlio Resende.

A maqueta foi à Administração que rapidamente se deslumbrou com a mestria e a versatilidade do seu traço, começando o jovem artista a trabalhar assiduamente na criação destas peças de referência.

O nascer da Marca

Com os anos quentes da revolução, dá‑se a nacionalização e pouco tempo volvido a então Petrogal vê a necessidade de criar uma Marca para as gasolineiras. Realiza‑se um concurso no qual Luís Filipe de Abreu é convidado a participar.

Não houve propriamente um briefing, apenas uma breve apresentação da empresa Galp, por isso a liberdade criativa era total, ainda que assombrada pelo pouco tempo. Era um trabalho sobre pressão.

“O ‘G’ tinha de ter características de Marca, para que se visse bem e sem confusões.”

E sem mais, a proposta apresentada era vencedora e quase sem alterações o “G” vê a luz do dia pela primeira vez.

A inspiração e o receber da Marca

Logo pensou num “G”, mas nunca um “G” comum. Antes um “G” com característica de Marca, que se destacasse e que conquistasse o seu espaço com orgulho e visibilidade e que não se confundisse com o barulho de outras Marcas. Este era também uma seta, algo que transmitisse energia e movimento, dinâmica e poder. As cores há muito estavam definidas, por isso e recorrendo ao Catálogo de Cores Internacional, Luís escolhe os tons certos de laranja e verde.

O design da Marca foi sempre muito rigoroso, quem o trabalhava tornava‑se um verdadeiro guardião das suas regras e identidade.

Com a certeza de dever cumprido e de quem, de alguma forma, traçara um caminho duradouro, Luís Filipe de Abreu recebeu o seu prémio de 5 contos, pela criação do primeiro logotipo Galp.

Luís Filipe de Abreu continuou a acompanhar de perto o desenvolvimento da marca que tinha criado, quer como cliente, quer como colaborador durante alguns anos após o nascimento do “G”.

“O ‘G’ tinha força, foi recebido com satisfação e orgulho entre todos os que o viam agora espalhado pelo País. Não houve espaço para saudosismo, apenas para uma sensação boa de progresso e para um futuro promissor.”

 

 

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